sexta-feira, 16 de maio de 2008

Petra Haden e o mundo dos Quem


Esta é a história de uma garota, um disco, e um gravador de 8 canais. Na verdade, tudo começou na década de 60 em Londres, onde 4 caras andavam de lambreta e vestiam roupas super transadas. Eles tinham uma banda de rock muito popular na época, o The Who. Liderada pelo guitarrista Pete Townshend - um rapaz feioso com um nariz tão grande quanto o seu talento - o Who sempre esteve à frente das outras bandas da sua geração. Uma prova disso é o álbum de 1967, entitulado "The Who Sell Out", o qual trazia consigo um crítica muito bem humorada (quase fanfarrona) ao conceito de "música como produto". Entre uma faixa e outra, o ouvinte era surpreendido por pequenas vinhetas de anúncio de produtos fictícios, cada uma na forma de um sensacional jingle propagandístico. Pouquíssima gente entendeu a proposta de Pete e sua trupe magnânima, e o disco é até hoje considerado "estranho" por muitos, o que não o impediu de possuir uma considerável legião de entusiastas, na qual me incluo.
Foi em 2000, mais de 30 anos depois, que o disco chegou às mãos de Petra Haden, que ainda nem era nascida em 1967. Petra é filha do baixista de jazz Charlie Haden, e toca violino e canta desde zigoto. Seu amigo Mike Watt, também baixista, lhe entregou um gravador de 8 canais (um contendo o "The Who Sell Out" e os outros 7 canais vazios) e sugeriu que ela tentasse gravar uma versão a cappella (apenas voz) do disco. Três anos depois, "Petra Haden sings The Who Sell Out" estava pronto. Ela não só havia reconstruído todas as vozes e instrumentais (incluindo a bateria), como também todas as vinhetas de propaganda do álbum original. O resultado ficou tão bom, que o próprio Pete Townshend declarou que "foi como se estivesse ouvindo as músicas pela primeira vez". Vindo de um cara com o ego do tamanho do talento e do nariz, não pode ser pouca coisa.

Abaixo vocês podem baixar tanto a versão original como a regravação do disco, e eu coloquei de brinde também vídeos com as duas versões do clássico "I Can See For Miles".

The Who Sell Out (1967)
Faixas:
1. Armenia City In The Sky
2. Heinz Baked Beans
3. Mary Anne With The Shaky Hand
4. Odorono
5. Tattoo
6. Our Love Was
7. I Can See For Miles
8. I Can't Reach You
9. Medac
10. Relax
11. Silas Stingy
12. Sunrise
13. Rael 1
14. Rael 2
15. Glittering Girl
16. Melancholia
17. Someone's Coming
18. Jaguar
19. Early Morning Cold Taxi
20. Hall Of The Mountain King
21. Girl's Eyes
22. Mary Anne With The Shaky Hand (alternative version)
23. Glow Girl

Petra Haden sings "The Who Sell Out" (2005)
Faixas:
1. Armenia City In The Sky
2. Heinz Baked Beans
3. Mary Anne With The Shaky Hand
4. Odorono
5. Tattoo
6. Our Love Was
7. I Can See For Miles
8. I Can't Reach You
9. Medac
10. Relax
11. Silas Stingy
12. Sunrise
13. Rael
14. Track Records



Clique aqui para assistir à versão da Petra Haden

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Vai Thomaz no Acaju


Post expresso hoje. Até porque o meu negócio é garimpar, e não ficar de conversa fiada. A pepita do dia é nada mais nada menos que o compacto 7 polegadas da parceria Móveis Coloniais de Acaju + Gabriel Thomaz (Autoramas), com o sugestivo nome "Vai Thomaz no Acaju", na sua versão digital, exclusiva para os meus 4 leitores do Ouve Só!

Tá, é mentira. Não sobre os leitores, realmente são só quatro (só abrir os comentários e contar), mas a bolacha não é tão exclusiva assim. Como diz o ditado, caiu na rede é peixe. É nóis!

BAIXE AQUI

domingo, 4 de maio de 2008

Canto de um povo


Quantas vezes você já se pegou sentado na poltrona de um cinema, com as luzes já acesas e a sala vazia? Pobre daquele que pensa que os créditos não servem para nada. São justamente os 15 minutos mais importantes de uma sessão. É o tempo que você precisa para digerir o que acabou de assistir, tentar entender aquela parte mais confusa da história, se arrepender de ter gasto seu dinheiro com aquele lixo audiovisual, roubar de uma vez aquele beijo que ficou engasgado durante todo o filme... Ou, escutar de coração aberto as músicas de um filme que te ganha aos poucos, e te arrebata justamente depois que termina. Um filme como "A Pessoa É Para O Que Nasce", do diretor Roberto Berliner. É uma das melhores e mais ricas trilhas sonoras que eu já ouvi. Muito mais que um disco, é um documento de valor cultural e histórico inestimáveis.
O filme conta a saga diária de três irmãs cegas que se sustentam tocando ganzá e cantando cocos de embolada em troca de esmolas nas ruas de Campina Grande, na Paraíba. Eu teria muito mais para falar a respeito do filme, mas vou deixar para quando/se eu tiver um blog chamado "Veja Só". Tudo o que posso dizer é que vale muito a pena assistí-lo.
A trilha sonora vem em dois discos: o primeiro traz as músicas (praticamente todas de autoria anônima) cantadas pelas próprias ceguinhas acompanhadas somente pelo ganzá, muitas delas tiradas diretamente do filme; o segundo traz as mesmas músicas do primeiro, na versão de artistas conhecidos - como Paralamas, Lenine, Pato Fu, BNegão, Pedro Luís e a Parede - com arranjos caprichados. Essas releituras permitem uma apreciação quase imediata das canções, ao mesmo tempo que cumprem com louvor o dever de preservar-lhes a essência, que se confunde com a do próprio povo brasileiro e suas origens. É simples e belo ao mesmo tempo. É bom o suficiente para você ficar na poltrona sentadinho só para ouvir as músicas.

DISCO 1 - AS CEGUINHAS DE CAMPINA GRANDE

DISCO 2 - RELEITURAS