domingo, 4 de maio de 2008

Canto de um povo


Quantas vezes você já se pegou sentado na poltrona de um cinema, com as luzes já acesas e a sala vazia? Pobre daquele que pensa que os créditos não servem para nada. São justamente os 15 minutos mais importantes de uma sessão. É o tempo que você precisa para digerir o que acabou de assistir, tentar entender aquela parte mais confusa da história, se arrepender de ter gasto seu dinheiro com aquele lixo audiovisual, roubar de uma vez aquele beijo que ficou engasgado durante todo o filme... Ou, escutar de coração aberto as músicas de um filme que te ganha aos poucos, e te arrebata justamente depois que termina. Um filme como "A Pessoa É Para O Que Nasce", do diretor Roberto Berliner. É uma das melhores e mais ricas trilhas sonoras que eu já ouvi. Muito mais que um disco, é um documento de valor cultural e histórico inestimáveis.
O filme conta a saga diária de três irmãs cegas que se sustentam tocando ganzá e cantando cocos de embolada em troca de esmolas nas ruas de Campina Grande, na Paraíba. Eu teria muito mais para falar a respeito do filme, mas vou deixar para quando/se eu tiver um blog chamado "Veja Só". Tudo o que posso dizer é que vale muito a pena assistí-lo.
A trilha sonora vem em dois discos: o primeiro traz as músicas (praticamente todas de autoria anônima) cantadas pelas próprias ceguinhas acompanhadas somente pelo ganzá, muitas delas tiradas diretamente do filme; o segundo traz as mesmas músicas do primeiro, na versão de artistas conhecidos - como Paralamas, Lenine, Pato Fu, BNegão, Pedro Luís e a Parede - com arranjos caprichados. Essas releituras permitem uma apreciação quase imediata das canções, ao mesmo tempo que cumprem com louvor o dever de preservar-lhes a essência, que se confunde com a do próprio povo brasileiro e suas origens. É simples e belo ao mesmo tempo. É bom o suficiente para você ficar na poltrona sentadinho só para ouvir as músicas.

DISCO 1 - AS CEGUINHAS DE CAMPINA GRANDE

DISCO 2 - RELEITURAS

6 comentários:

pacheco disse...

sempre que vc fala desse filme/trilha sonora me dá vontade de ver/ouvir!

Já é, o cd vende no arteplex...

pacheco disse...

Mentira, vou baixar!

Anônimo disse...

Bom, que mundo pequeno hein?

Hehehe... E sabe que depois de tudo isso, eu não vi esse filme também? Que vergonha...

Vou catar aqui em casa! Haha!

Beijos!

Denis disse...

Moleque, respondendo ao seu comentário no meu blog, vou reiterar: você escreve bem. Não estou falando de correção (considero um pressuposto). Estou falando de estilística. É agradável ler o que você escreve. Acho que você devia enviar algum artigo para esses zines de música... Quem sabe os próximos artigos seus que eu leia estejam impressos em papel-jornal? ; )
Sobre a Carta do Gusmão, não, acho que ele nunca recebeu. Acho que o link do site dele para o qual eu enviei era fantasma, sabe?
E sobre os links para baixar: dãããã! Como sou retardado! Juro que não vi, moleque. Tô baixando o do Jorge Ben e o do Tim Maia. Depois te falo o que achei.
Abraço, cotinue assim.

André Miranda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Denis disse...

Ainda bem que esclareceram que era piada interna, porque eu já estava me achando idiota por não entender.